Nascer do sol
O silêncio é quebrado, pelo som circular que sai das condutas de ar condicionado da torre vizinha. Torre, gémea, da outra, onde sentado numa cadeira de vime, assiste, no alcance que a paz pode atingir, ao raiar de um novo dia, no aglomerado de vidro e betão, de uma cidade que tem o deserto como sua génese!
O sol, nas costas, vai subindo, afastando suavemente a escuridão que paira, à sua frente, sobre o mar. As cores ganham vida, o mar, textura.
As ondas, minuto a minuto ganham forma, sopradas por um vento que voa em direcção ao nordeste, para dentro do deserto.
Sentado, com o computador ao colo, imagina como seria se tivesse de descrever o momento a alguém, do outro lado do Globo, mergulhada na escuridão de uma noite que para lá ainda caminha.
A praia, ainda à sombra provocada pelas torres sem fim, contrasta com aquilo que vai ser o resto do dia, uma quinta-feira, inicio do fim da semana, neste país árabe. Vazia!
Os bares, as praias privativas dos hotéis, não têm vivalma. e na única parte aberta ao público, apenas repousam 3 camelos, que vivem e fazem viver a ilusão, daquilo que outrora foi um deserto imenso, de areia que se denunciava no golfo.
No, mar, na água límpida, ganham forma as sombras das formações rochosas que silenciosamente habituam as (poucas) profundezas. 4 ou 5 barquinhos, lanchas provavelmente potentes, permanecem ancoradas frente à praia do Hilton, onde ainda se sentem os excessos provocados pela final da Liga dos Campeões!
Agora, já o sol ilumina o ex-libris da cidade. Toda a Palmeira está iluminada pelo sol, com aquele tom alaranjado que só existe, ao ver o nascer do sol.
Ele está de costas para a cidade dos 1001 arranha-céus, mas de frente para o mar.
e é assim que nasce o sol, no dubai.

