Amar é como saltar de paraquedas…(reescrito)

Quero começar por dizer que o título não é propriamente verdadeiro!
Não que a comparação seja errada, simplesmente nao se trata de “amar” ou, “amar” simplesmente não é a expressão desejada!
Para sermos precisos, o título deveria ser qualquer coisa como “aquela-sensação-de-quando-estamos-a-conhecer-alguém-que-nos-parece-interessante-e-até-mexe-um-bocadinho-connosco-e-nos-faz-dizer-baboseiras-e-ter-sorrisos-parvos é como saltar de paraquedas” mas além de demasiado longo ,”amar” parece-me um pouco mais poético!
Por isso e do início, com a devida ressalva… Amar é como saltar de paraquedas!
Um dia, sem darmos conta disso, como que uma partida que nos pregam pensamos “um dia tenho de saltar!!!”, uns chamam-nos loucos e ficam imediatamente preocupados, outros afirmam que pagariam para ver, rindo-se entusiasticamente comos e tivesse acabado de assistir a um gag dos gato fedorento, e ainda restam alguns que nos dizem “vai-te a ela”, sorrindo com aquele brilho nos olhos de quem pensa e deseja “Ser desta!”.
Aquela primeira afirmação, um pouco masoquista, teve um gatilho, provavelmente um olhar que nos derreteu ou uma curiosidade que nos assolou, sem sequer termos reparado… e por mais estranho que possa, parece ser o suficiente para ponderarmos largar tudo e nós atirarmos no meio do ar, só ar à nossa volta!
E depois? Depois somos imediatamente atravessados por um arrepio na espinha! Trespassados pelo medo, até nos lembramos que temos vertigens e se calhar temos alguma condição de saúde que nos impede de tal façanha, “o Melhor é não me meter nisso, e se ela gosta de outro?”
E temos, a esta altura, já temos provavelmente uma qualquer complicação cardíaca! Arranjamos dez mil desculpas para não lhe ligar somente para dizer “olá”! Mas tal como o salto um dia será uma certeza também os esperados bons dias serão a seu tempo sussurrados…
Na hora de lhe ligar, enquanto o telefone toca, questionamo-nos sobre que raio estamos a fazer! Porque é que nos estamos a encaminhar para o avião, porque é que o corpo deixou de responder ás nossas ordens, “quem é que me está a controlar??” e sem dar por isso já entrámos e a porta já se fechou, sem nos dar outra hipótese de fuga em terra firme, segura!
Do outro lado “estou?” e a nossa respiração pára enquanto o bimotor levanta voo., “tarde demais para voltar atrás! Bom dia”!
Ninguém nos ensina a amar, tal como ninguém nos ensina a saltar!
É mentira mas tal como o título soa bem e até preferia que fosse verdade! Intrínseco à nossa natureza humana!
Aos 3000 metros, sei lá eu que nunca amei, desculpem saltei, que amar já amei, a porta abrir-se-á e enquanto tiras as pétalas “bem-me-quer, mal-me -quer, bem-me-quer, mal-me-quer” aquela mão amiga e invisível dar-te-à o empurrão que precisas! Para fora do avião… Para o ponto sem retorno!
A sensação deve ser a melhor, sozinhos, dispostos a saltar para o infinito, disposto a saltar para o teu colo sem saber se a tua disposição para me receber será a mesma do paraquedas para abrir!!! Uma única certeza já só tens um caminho e para trás (ou para cima) não voltaremos!
Mas amar ( ou o outro título) é como saltar de paraquedas! Invariavelmente aterrarás… Em cima duma árvore á espera do ombro amigo para te ajudar a tocar com os pés no chão, em perfeitas condições junto a uma lareira bem aconchegados… Uma aterragem forçada com algumas mazelas mas recuperáveis ou sem o paraqu…
Naa!!!! Nunca ouvi dizer que alguém morreu por amar!


