2005
Sep 
30

Importância…

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 9:09 pm  

Ai se eu pudesse não partir…

se eu pudesse não querer… descobrir…

mas como pode a lua não querer o céu
como pode o mar não querero chão
como pode a vontade acalmar o desejo
como posso eu ficar?!

excertos Margarida Pinto – Ficar (canção de embalar)

2005
Sep 
28

Covilhã

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 11:38 pm  

São poucas os momentos num ano, que nos permitem estarmos tempo suficiente connosco próprios, para sentirmos a sério o que é que é importante na nossa vida.
Faltou a chuva, não num CD porque essa estava lá, para me acompanhar nas várias centenas de Quilómetros que fiz no ultimo Fim de Semana. Conduzir sozinho com chuva, sempre foi um óptimo “arrefecedor” de ideias e pensamentos solitários ( não confundir com pensamentos de solidão).
Andei a pregar aos céus, peixes e até pedras da calçada, que aquilo que precisava mesmo eram 2 dias… 2 Dias longe do mundo. 2 dias para acentar ideias, considerar prioridades e despersonificar sonhos. Precisava de 2 dias que me devolvessem a honestidade, que me devolvessem o meu eu, e que me dessem a oportunidade de encontrar ou reencontrar as minhas certezas, de sentir quem sao a meia duzia de pessoas importantes que me enchem a vida.
Quis o destino, entidade na qual eu profundamente não acredito, que em vez de 2… tivesse 3 dias. 2 Noites em que partilhei comigo mesmo um quarto de hotel, em que os sonhos me entraram durante a noite para esclarecer a minha vida.
não posso dizer que tenha estado com os niveis de confiança indicados para uma introspecção, para uma reflexão que nos exige coerencia e acima de tudo determinação… Restava a clareza e lucidez do espirito, restava.me a tranquilidade espiritual para equilibrar a balança.
É dificil gerir a pressao, aquela que sentimos que nao conseguimos controlar, ou que podemos nao ser suficientemente bons para o fazer. É complicado nao conseguir perceber em que ponto está o nosso trabalho, não ter ninguém que ao fim do dia nos elucide sobre o que fizémos.Tenho perfeita consciência que não tenho muita experiência com a câmara… ainda não a domino como uma extensão do meu corpo, dos meus olhos. Acusei facilmente o peso da responsabilidade de estar 3 dias fora, sozinho a fazer um trabalho pago… e talvez ainda mais exigente visto ser somente o segundo para aquele cliente. Ainda hoje que já passou não consegui pedir um feedback sobre o que se passou. Talvez medo de encarar a realidade… ou uma estupida modéstia ou mm falta de confiança pura e simplesmente.

Mas… é curioso… fiquei com uma duvida brutal.

é certo que a vida dá muitas voltas… mas… será que são voltas em círculo, elipses ou espirais?

2005
Sep 
22

187

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 5:10 pm  
outside there's a box car waiting
outside the family stew
out by the fire breathing
outside we wait 'til face turns blue
i know the nervous walking
i know the dirty beard hangs
out by the box car waiting
take me away to nowhere plains
there is a wait so long
you'll never wait so long
here comes your man 

big shake on the box car moving
big shake to the land that's falling down
is a wind makes a palm stop blowing
a big big stone fall and break my crown
there is a wait so long
you'll never wait so long
here comes your man 

there is a wait so long
you'll never wait so long
here comes your man 

The pixies

186

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 5:07 pm  

Escrevemos o nome no céu,
Com mil passos de dança por dar,
E mostraste-me um mundo só teu
Com promessas de ir e voltar

E eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui.

Trouxeste tanto que me querias contar
Sobre as cidades que há no fundo do mar

E eu estou aqui
Eu estou aqui
Estamos tão perto de estar tão longe,
Como dois loucos na madrugada,
Se me dás tudo, ficas com nada
E abrem-se janelas em nós.

Acendi as palavras na pele
Em tatuagens brilhantes de azul
E pousaste-me um beijo fiel
Em telhados de vento e sul

E eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui,
Eu estou aqui…

pedro abrunhosa

2005
Sep 
19

casa

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 9:45 pm  
Bem-vindo a casa dizia quando saia de dentro dela
O bonito paradoxo inventado por aquela dama bela
Em dias que o tempo parou, gravou dançou, não tou capaz de ir
atrás, mas vou
porque sou trapalhão, perdi a chave, nem sei bem o caminho
nestes dias difusos em que ando sozinho e definho
à procura de uma casa nova do caixão até a cova
o percurso é duro em toda a linha, sempre à prova 

casa – da weasel

2005
Sep 
15

E que tal… pedires uma bengala e um cão guia emprestado?!

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 11:00 pm  

” Toca o despertador… Se nem assim acordas… não me resta outra alternativa que te o atirar á cabeça!
Estou cansado de assistir a este jogo para o qual não fui sequer convidado. Nem que me pagassem eu vinha voluntariamente. Até parece que sinto o escorrer do sangue pelo teu corpo.
A sensação de impotência preenche-me o vazio deixado nas veias. o meu sangue gela ao ver-te. Mas as regras do Bom Senso impedem-me de levantar o dedo… de num assolo de raiva gritar bem alto e dar-te duas estaladas!!!

- OLHA PARA MIM! OLHA-ME NOS OLHOS PORRA!
Viraste-me as costas e abanaste a cabeça cheia de confiança! como poderia eu estar certo? como poderia toda a gente estar certa? se tu é que tinhas as certezas todas… Absolutas, Ínequivocas e dogmáticas.
Sinto-me a vacilar. GOSTO DE TI CARALHO! Como é que isso para ti não chega?!”

183

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 4:38 pm  

«Por segundos a agitação parou. O rádio ficou mudo entre a troca de duas canções e ao fundo na estação, o ruído deu lugar ao som dos pássaros.
Uma voz feminina anuncia “Atenção senhores passageiros, vai dar entrada na linha numero um, o comboio Suburbano com destino a Meleças…”, o rádio volta a tocar, como se a estação de rádio estivesse sincronizada com a chegada dos comboios à estação. Os gestos lentos ou parados dos futuros passageiros, acordam repentinamente. Uns correm, outros mexem.se agilmente para abraçar os mil e um sacos que carregam consigo. vêem.se rostos cansados de gente que termina mais um dia de trabalho. Vêem-se rostos de crianças que sorriem depois de regressarem do primeiro dia de aulas. O comboio aproxima-se… O sol que se pôem para os lados de sintra, reflecte-se agora no espelhado do para brisas do comboio.
Interrogo-me se estará alguém conhecido nos inumeros comboios que fiquei a ver passar. Aposto que sim. Que estão lá caras que me aquecem a vida, rostos vivos de pequenos momentos partilhados em sitios bem distantes de um apeadeiro, o ultimo de Lisboa.
Estão lá certamente dezenas ou centenas de pessoas com quem já partilhei carruagens, bancos frente-a-frente, lado-a-lado. Estão certamente muitas pessoas que já usaram a mesma máquina de bilhetes que eu, que já carregaram, antes ou depois, nos mesmos botões.
Também de certeza gente que já partilhou muitas aventuras, sorrisos e carinhos.
As portas abriram-se.
Os comboios sempre tiveram vida. Sempre foram cheios de corações, de desavenças. cheios de gente apaixonada ou cheia de gente que por ver alguem… foge para outra carruagem.
Os comboios contaram histórias de amor, histórias de terror. Contaram sorrisos sem fim, contaram muita coisa. Os comboios eram televisões para quem estava fora. Para quem procurava vida e costumes… olhar para dentro de um comboio era como abrir um livro. olhavamos pela janela e via.mos caras conhecidas. viamos rostos, pessoas e animais. Viamos vida.
Hoje parte.me o coração olhar para dentro de um comboio e… só me ver a mim!
Hoje, quando um comboio para lado-a-lado com outro… já não podemos sorrir à pessoa que está do outro lado, que está a partilhar connosco este ritual.
hoje só nos vemos a nós próprios… só nos vemos a nós.
A pelicula metalizada que hoje cobre as janelas… transformou os comboios em simples vagões de mercadorias. Não consigo olhar lá para dentro… e só vejo vida quando as portas se abrem e as pessoas saiem que nem gado.
Hoje sinto que roubaram a magia……»

2005
Sep 
11

para quem…?!

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 4:03 pm  
Para quem sorri Mona Lisa
Para quem sorri Gioconda
Alguém diga se souber
Levante o dedo e responda
É sorriso de mulher
Que tem o mundo na mão
Sabe tudo sobre o desejo
Mas faz de conta que não

181

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 3:17 pm  

é curioso… como ter consciência, ser sincero e honesto… deixa-nos sempre um ou dois passos atrás…

2005
Sep 
9

Este é o meu fado.

Filed under: Uncategorized — João Tiago @ 7:04 pm  

“Durante anos de juventude… aprendi a não gostar de fado.
Era a musica de velhos, eficazmente substituida por POP’s e ROCK’S.
Á medida que a rebeldia da idade, transformava o sangue num vulcão quase a explodir… Ska’s e punk ou bandas pseudo-punks.
Continuava abominar fado…

Hoje, um dia depois de fazer 22×365 dias (mais os dias dos anos bissextos), entro no carro… chove como já fazia falta à algum tempo, o som da chuva a bater no vidro parece o cenário ideal, o barulho dos cavalos do motor a diesel, é abafado pelo som do dedilhar numa guitarra portuguesa.
A voz da revolução no Fado, entoa a “Chuva”. A voz que provou que os jovens até gostam de fado, pelo numero de mesmos que assistem aos demais concertos, que sabem as musicas de cor, que têm um CD na prateleira. A musica aumenta e ensurdece em definitivoo habitaculo.
O preconceito é uma coisa terrível… e todos nós temos telhados de vidro.”