Duvida
Ainda nao percebi se preocupar-me é uma benção ou uma Cruz!
Ainda nao percebi se preocupar-me é uma benção ou uma Cruz!
Às vezes acho que a minha felicidade só passa por ti…
Às vezes, quando tudo me falha, sinto que tu ainda me vais mantendo seguro!
Às vezes quando a vontade não é muita, lembro-me dos teus sorrisos e da forma como me conseguias fazer sorrir, com a mais simples das mensagens…
Às vezes, qdo fecho os olhos e cerro os punhos, naquele instante imediatamente antes de esmurrar a parede, lembro-me que em muitos momentos conseguimos a proeza e a ousadia de estar felizes…
Às vezes… Mas só às vezes…
Ouço o mar!
Penso como seria se fosses tu que estivesses deitada mesmo aqui ao lado.
De certo, confundir-se-ia o cheiro a maresia com o perfume dos teus cabelos.
Os sorrisos abriam-se, como quando aquela nuvem negra, sinal de Inverno, partira e deixara, lentamente, o sol a descoberto.
A alegria, que um dia corria no pensamento, alastraria e, ao te sentir, tomara rapidamente o lugar do sangue nas veias, bombeada por um coração que confundira o vermelho do sangue, com o vermelho da paixão.
O relógio de sol que desenhaste na areia, assombra como um despertador, os nossos 4 metros quadrados, lançando no ar o cheiro a grelhados e a frescura de um verde, o calor de um tinto ou simplesmente a leveza da água.
O por do sol, mistura.se com o acender do lustre de estrelas, simples convidadas, substituídas do papel de orientadores pelo farol, que ao seu próprio ritmo, marca a cadência do nosso beijo.
*
Escrito em 2005, encontrado e publicado hoje, em 2009, perdido em rascunhos de um disco rigido…

Quero começar por dizer que o título não é propriamente verdadeiro!
Não que a comparação seja errada, simplesmente nao se trata de “amar” ou, “amar” simplesmente não é a expressão desejada!
Para sermos precisos, o título deveria ser qualquer coisa como “aquela-sensação-de-quando-estamos-a-conhecer-alguém-que-nos-parece-interessante-e-até-mexe-um-bocadinho-connosco-e-nos-faz-dizer-baboseiras-e-ter-sorrisos-parvos é como saltar de paraquedas” mas além de demasiado longo ,”amar” parece-me um pouco mais poético!
Por isso e do início, com a devida ressalva… Amar é como saltar de paraquedas!
Um dia, sem darmos conta disso, como que uma partida que nos pregam pensamos “um dia tenho de saltar!!!”, uns chamam-nos loucos e ficam imediatamente preocupados, outros afirmam que pagariam para ver, rindo-se entusiasticamente comos e tivesse acabado de assistir a um gag dos gato fedorento, e ainda restam alguns que nos dizem “vai-te a ela”, sorrindo com aquele brilho nos olhos de quem pensa e deseja “Ser desta!”.
Aquela primeira afirmação, um pouco masoquista, teve um gatilho, provavelmente um olhar que nos derreteu ou uma curiosidade que nos assolou, sem sequer termos reparado… e por mais estranho que possa, parece ser o suficiente para ponderarmos largar tudo e nós atirarmos no meio do ar, só ar à nossa volta!
E depois? Depois somos imediatamente atravessados por um arrepio na espinha! Trespassados pelo medo, até nos lembramos que temos vertigens e se calhar temos alguma condição de saúde que nos impede de tal façanha, “o Melhor é não me meter nisso, e se ela gosta de outro?”
E temos, a esta altura, já temos provavelmente uma qualquer complicação cardíaca! Arranjamos dez mil desculpas para não lhe ligar somente para dizer “olá”! Mas tal como o salto um dia será uma certeza também os esperados bons dias serão a seu tempo sussurrados…
Na hora de lhe ligar, enquanto o telefone toca, questionamo-nos sobre que raio estamos a fazer! Porque é que nos estamos a encaminhar para o avião, porque é que o corpo deixou de responder ás nossas ordens, “quem é que me está a controlar??” e sem dar por isso já entrámos e a porta já se fechou, sem nos dar outra hipótese de fuga em terra firme, segura!
Do outro lado “estou?” e a nossa respiração pára enquanto o bimotor levanta voo., “tarde demais para voltar atrás! Bom dia”!
Ninguém nos ensina a amar, tal como ninguém nos ensina a saltar!
É mentira mas tal como o título soa bem e até preferia que fosse verdade! Intrínseco à nossa natureza humana!
Aos 3000 metros, sei lá eu que nunca amei, desculpem saltei, que amar já amei, a porta abrir-se-á e enquanto tiras as pétalas “bem-me-quer, mal-me -quer, bem-me-quer, mal-me-quer” aquela mão amiga e invisível dar-te-à o empurrão que precisas! Para fora do avião… Para o ponto sem retorno!
A sensação deve ser a melhor, sozinhos, dispostos a saltar para o infinito, disposto a saltar para o teu colo sem saber se a tua disposição para me receber será a mesma do paraquedas para abrir!!! Uma única certeza já só tens um caminho e para trás (ou para cima) não voltaremos!
Mas amar ( ou o outro título) é como saltar de paraquedas! Invariavelmente aterrarás… Em cima duma árvore á espera do ombro amigo para te ajudar a tocar com os pés no chão, em perfeitas condições junto a uma lareira bem aconchegados… Uma aterragem forçada com algumas mazelas mas recuperáveis ou sem o paraqu…
Naa!!!! Nunca ouvi dizer que alguém morreu por amar!
À mesa do coffe & Pot
Deixa-te de novelas. Vem mas é fazer cinema a sério!
“hoje queria poder dizer-te bom dia…
Então…
Bom dia!“
in ” o Livro Por escrever”
não sei estar sozinho, mas só sei o que é estar sozinho…
Café , atrás de café… aproveitava o que resta dos raios de sol que a chuva levou pela manhã.
O termómetro marca agora 23º e já não há sinais da chuva e do vento que encharcaram a manhã do dubai.
Sentado na esplanada de um dos muitos Starbucks do quarteirão, oiço o leve ruído de, mais um, Nissan GTR… novinho como tantos outros que por esta rua se passeiam.. À minha frente, uma das muitas loiras, americana provavelmente, sai do seu Audi TT, branco… Branco como a neve que nunca há-de conhecer o vento árido do deserto.
A luz já não é a mesma, dos dias quentes do Ramadão. É agora mais baça, mais ténua, mais amiga dos olhos.
Na rua, já não se ouvem as buzinas que nos bombardeavam repetidamente… Os carros passaram a respeitar os Peões, passam por aqui devagar, muitos simplesmente para mostrarem os sues Ferraris, Mercedes, Porsches e Lamborghinis…
Esta ilha é nossa. É dos ocidentais que a transformaram naquilo que mais se consegue parecer com casa… Perdemo-nos em Cafetarias Americanas, Restaurantes Italianos e Padarias Francesas.
Nos passeios, Americanos e Europeus são reis e senhores. Passeiam-se longas pernas e curtas mini-saias que fazem esquecer os rigorosos costumes e tradições no resto da arábia. Cada uma é mais gira que a outra… os Árabes e as Árabes nas suas vestes tradicionais, aqui não passam de uma miragem. De uma miragem no nosso Oasis.
E a vontade de sair deste nosso pequeno paraíso de misturas ocidentais, torna a cada dia que passa mais pequena, mais dispensável.
Aqui vivemos bem, tranquilos… e com muito mais força para fazermos aquilo a que a cada dia que passa somos melhores.
E digam o que disserem não há equipa como a nossa!

“Ao longo da Auto-estrada a luz não mudava…
A paisagem era a mesma. Quente. Seca. Escondendo areia atrás de areia…
No alcatrão ressoavam os rugidos de Mercedes, Audis, BMWs, por vezes abafados pelo estredinte som orquestrado dos grandes V8 de Hummers e Mustangs.
O olhar perdia-se no horizonte, desejando que logo a seguir à linha se sentisse o cheiro da maresia, do café e mais importante … os abraços dos que para trás ficaram!
As saudades apertavam e a memória ou a alma ficaram pelos cafés, pelas noites no SW alentejano, pelas jantaradas seguidas de futebol, pelas idas á luz.
Aqui ao menos, futebol era coisa que não faltava… ou pelo qualquer coisa parecida com isso! Ao invés do cheiro a casa, para lá da linha do horizonte, hoje espera-o a linha do meio campo de um dos já perpétuos jogos da UAE SuperLeague.
Ao som do fado no iPhone, fecha os olhos… O Dubai é já ali e o dia promete, uma vez mais, ser longo e recompensador…”
Até já!