A vida é uma merda.
“Pearl Harbor” é, como qualquer filme que retrate a década de 40, um filme deprimente. É uma história, reconstituição, que põe a cru os maiores podres do ser humano, a sua capacidade para destruir, para se destruir e destruir os próximos.
É acutilante a dor que cria. O saber do que somos capazes, a dor que causamos ao próximo…
Tal como “Pearl Harbor” foi outrora o presente, hoje, continuamos a ser capazes de provocar dor, de mostrar aos restantes o quão ruim podemos ser, a subjugar os mais fracos.
Mudam os métodos, as décadas, os interesses…
Num país como este, afastado dos radicalismos e fundamentalismos, apadrinhado pelo ocidente, ordinariamente conhecido como civilizados, acontecem todos os dias os crimes antigos, na vida moderna.
Eu sei. Crimes destes acontecem em todos os países, mais ou menos civilizados, mais ou menos avançados, mais ou menos europeístas… Mas aqui acontece no mesmo espaço, em que eu descanso. Um piso abaixo, sem dignidade, sem segurança e com uma vida, proibida por outros.
Se eu me queixo da falta de espaço, da falta de conforto deste hotel, como posso permitir que um piso abaixo, todas as noites sejam trancadas Mulheres em quartos iguais ao meu? 5 ou 6 em meia dúzia de metros, trancadas num hotel?
Não são árabes… Simplesmente não têm direito a mais, que dançar todos os dias para um restaurante de um hotel, da mesma cadeia que este. E hoje, nós que nos revoltamos com as condições em que estamos, trocámos olhares e vimos naqueles rostos fechados, de quem sai ao sol posto em manada para o trabalho, alegria e sorrisos…
E Seguimos caminhos diferentes, sem nada poder fazer!
Esta é o meu desabafo, a minha denúncia e infelizmente… nada mais me resta que desejar fugir, provavelmente para outro quarto, noutro hotel… por cima de outro quarto igual…
A vida é dura, mas nós não chegamos a provar nem um quinto.
Até já


Praia . Abu Dhabi
