37º 1’ N, 8º 59’ W
37º 1’ N, 8º 59’ W
3 Relâmpagos intensos, com cadencias constantes, iluminam o mar.
Sentado, mais a sudoeste era impossível, descansa com o sorriso de quem realizara um Sonho.
A Costa Portuguesa fora conquistada.
O último mês havia sido duro e ansiava pelo seu término.
Umas horas antes, muitas, aterrava no aeroporto da Portela.
À chegada a Lisboa, há algo de genial num “First Café”, na sala de “desespero” da bagagem. As saudades, afogam-se naquele café, o primeiro que, em muito tempo, cura os males da falta de boa cafeína. Este foi o primeiro aroma a casa!
Mas não chegava. Depois de mais uma temporada fora, urgia cumprir sonhos.
Sem tempo a perder. Taxi, casa, roupa fria e suja abandonada. Encheram-se as malas de alumínio! Calções e T-shirts! Afinal regressara à terra do sol!
Na garagem, o ronco da bicilindrica dominava a escuridão. Pela frente, 300Km de alcatrão para desbravar, pela 1ª vez, em busca de refúgio, de espaço para libertar a mente.
“Não me peçam nada. Não me liguem. Hoje, amanhã, depois! Sem prazos, somos só nós. Eu e Tu, percorrendo as curvas da tua costa”.
Suspirou.
1ª, 2ª, 3ª! Devagar, abraçado por cristo, abandonava a estrutura metálica de abril, devagar, que o azimute já estava traçado.
Silêncio! 30 minutos, até à outra margem. Os 1ºs raios deste sol tão nosso, reflectiam o verde do ferrie, no rio, iluminando os roazes que por ali rondavam. A Luz…
Sozinho rasgou com o passado, entrando nele. Deste lado do rio tudo era tão mais simples, tão despreocupado.
Em 2 rodas, procurou uma pastelaria, coisa tão rara pelas terras por onde andara e que tanta falta fizera para combater as primeiras fomes do dia. Simples. Era das coisas mais simples que sentia mais saudades. Dos aromas, das cores. Encontrou a imortalizada Porto Côvo!
Folheou as 1ªs paginas do jornal. São as mesmas noticias já gastas em folhas novas. Nada mudou, porque nós… nós somos quase imutáveis, genuínos.
Olhou para o sol e regressou à estrada. Ao sabor do vento, percorreu mais curvas, mais mar. Quase meio-dia e era impossível resistir a uma das aldeias mais pitorescas. Restavam menos de 10km para se cruzar com a Aldeia Piscatória da Azenha do Mar. E foram incontáveis as vezes que por lá parou, levado pelos seus pais.
Na estrada, saciado com as primeiras sardinhas do ano, o vento continuava desafiante e as curvas, puxavam o sorriso. Sagres já ali estava!
Para trás ficaram as mais belas paisagens.
À sua frente so restavam…
3 Relâmpagos intensos, com cadencias constantes e um sonho realizado!
